“Politicagem”, um vírus sem cura

Não é preciso ser um máximo entendedor de Ciência Política para conseguir enxergar quando suas bases se modificam de estado íntegro e respeitoso para egocentrismo e falta de consciência de poder. Para isso, basta sentir a presença de qualquer resquício de contradição a uma posição defendida que, por sua vez, atribui-se aos sentimentos e forma romantizada de enxergar algumas coisas. Em outras palavras, fanatismo.

O fato dessa esfera determinar a maior parte das relações humanas – já que é inimaginável pensar em sociedade sem política – é que se traz o questionamento justamente sobre a postura dessas pessoas que detém esse tal poder, levando em consideração seus pensamentos e posicionamentos como figuras públicas, em sua representatividade e responsabilidade social. E como se não bastasse, ainda, refletir sobre qual a parcela que nos sobra por apoiar, lutar, brigar e defendê-los, às vezes sem o senso do ridículo, se a luta é para que sejam “um por todos, todos por um”?

A verdade machuca, mas se for para mostrar a realidade, que se faça cicatriz. E por mais incontrolável que seja se opor aos interesses pessoais e grupais e aos passados não tão distantes – responsáveis por oportunizar fraquezas, ressentimentos e angústias – é patético na hora da raiva ver a verdadeira política ser pulverizada pela falta de ética e humanidade de pessoas cada vez menos humanas.

Ora, se controlem! É certo que o mundo político continuará o mesmo por muito tempo. Afinal, onde há civilização, há relações. Onde há relações, há interesses. E onde há interesses, com certeza haverá poder, com muitos candidatos a salvação , outros tantos candidados a doarem suas vidas a erguê-los ao máximo patamar.

Só que ainda se perguntam: se presenciar vidas sendo dizimadas em meio a tempos de sombra e silêncio não é capaz de trazer minutos de consciência, de respeito e cuidado próspero, o que mais seria capaz? Caso nada mude, sugere-se que empunhemos nossas bandeiras de cor e impulsionados por uma politicagem viral nos silenciemos, pois serão nelas que morreremos abraçados.

por Jotta Lopes – colunista do Papo Político

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