E quando a verdade não sobrepõe a conveniência?

Estruturas sociais degradadas pela falta de senso organizacional, bem como a perda de voz ativa em algumas esferas, a exemplo das políticas, educacionais e culturais, passam longe de serem os únicos ônus que escandalizam diariamente as plataformas noticiosas mundo a fora. A escassez de entendimento diante das manobras ideológicas pulverizadas pela comunicação soa cada vez mais normal, em uma sociedade que sobrevive do seu alcance, disseminação e poder.

O mundo que tanto se atualizou – e constantemente se atualiza – deixou, há tempos, de ser apenas uma proposta tecnológica. Agora, mais do que antes, passamos a conviver também com um agente transmissor de condições, que oferece possibilidades, poder de decisões e de tornar pensamentos em verdadeiras “terras sem CEP”. Um motivo para isso tudo, um provável conhecimento diante da nossa importância e existência. Por que não?

Contudo, há um fator preponderante que a tecnologia tem que nem sempre temos ao nosso lado em momentos de escolha. Isso significa dizer que não se chega a um resultado final com êxitos dessa maneira sem que haja estudos, reflexões e comprovações. O que nos levaria a pensar que simplesmente poder escolher nos tornariam condutores da verdade? E é justamente esse o fator que faz com que todo e qualquer conhecimento não seja relevante: não saber usá-lo.

Ao passo que tudo se transforma – ou se adapta – fica cada vez mais nítido que ser conveniente é um trabalho bem menos cansativo que ser verdadeiro, de ter que aceitar que algumas verdades existem e que nem sempre se direcionam para o lado que optamos estar. E por mais contraditório que isso possa soar, sendo nós os próprios criadores, como vamos culpar toda uma sociedade que já não sabe de fato em quem confiar?

Em tempos de Fake News, mentir – omitir, reprimir, maquiar verdades – virou um “az” na manga daqueles dotados de um mínimo de discernimento. Enquanto ao restante, vendados por suas crenças inabaláveis e intocáveis continuam a crescer as porcentagens das pessoas que não somam, mas somem, se anulam e fortificam ainda mais o senso da tolice, por preferirem ser convenientes e não abraçarem a verdade.

por Jotta Lopes – colunista do Papo Político

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