Tudo passa! Os maus costumes não, eles ficam

Pensar que viveríamos ao ponto de presenciar toda uma sociedade retroceder em seus avanços, envaidecida e afundada em egocentrismo e sede pelo estrelado, seria um pensamento desafiador até para o maior dos pessimistas. No entanto, como a própria realidade se responsabilizou por tal condenação, o que restaram foram pessoas confusas em suas próprias escolhas e espaços esquecidos pelos seus mesmos benfeitores. E sem ter a quem culpar, muito menos quem assuma, como você acredita que a sociedade poderia estar? Pois é, perdida!

“Quando não existe um culpado, todos são culpados”, estas foram as palavras ditas pelo Papa Francisco que desenham a ótica mais precisa desse “nosso” semblante de cúmplices displicentes. À parte, daqueles que entendem e com fundamentos defendem e fazem valer as suas posições, no mais parecemos um aglomerado de falas sem voz, que gritam por ordem deixando o progresso nas entrelinhas. Um surto de pessoas entendidas de direito, mas desentendidas em seus deveres.

Sabe as tartarugas, que a cada ciclo saem do mar, se deslocam até praia, depositam suas esperanças em vidas futuras e, depois de lutarem por esse objetivo e concluírem, voltam para casa? Aparentemente, parecemos que somos essas tartarugas, em uma versão igual de desempenho, mas com uma grande diferença. Nós também idealizados uma necessidade, lutamos por esse objetivo e transcendemos nossas condições para chegarmos ao resultado, até que conseguimos concluí-lo. Sabe qual é a diferença? As tartarugas sempre voltam, nunca esquecem os locais da batalha. Nós, não. Parecemos, em certos pontos, que nunca nem lutamos por nada.

A verdade é que o mundo precisa de pessoas que sejam capazes de pensar mais do que aparentemente necessitam. (É de graça, sabiam?) Não há sentido lutar somente a cada quatro anos, se a nossa vida durar cinco, onze, vinte, sessenta anos ou mais. Ainda que seja complicado medir nossos envolvimentos em momentos difíceis, é preciso usar dessa mesma sensibilidade para divergir sempre que as coisas forem contra um consenso geral. Afinal, não são as nossas individualidades que regem as esferas sociais, mas sim o conjunto, o todo. A individualidade é uma gratificação, apenas.

Em todo caso, é custo acreditar e aceitar que iremos envelhecer vendo as mesmas cenas se repetirem, os mesmos personagens trocando de atores e encenando os já conhecidos papéis ou nossas indignações regatas a batidas de panelas e impeachment só por que não aprendemos a escolher ou ver corretamente todos os lados que nos cercam. De fato, tudo passa – seja certo ou errado – mas os maus costumes teimam em se enraizar neste solo fértil de teimosia e irresponsabilidade.

por Jotta Lopes – colunista do Papo Político

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