É melhor “Jair” se acostumando?

A sina das escolhas equivocadas, que traz consigo as esperanças desgastadas, os esforços desperdiçados e as lutas diárias transformadas em tempo perdido, parece estar se consolidando a cada nova “atrapalhada” como o peso pelo o qual carregaremos em nossos ombros ainda por muitos verões. Fica até complicado isentar dessa cômica tragédia aqueles que “não tem culpa”, já que essa culpabilidade é uma medida de peso único, que todos são castigados a assumir juntos.

Como se já não bastasse a divisão social pela racionalidade política e governamental – o que por direito é assegurado a todos, já que somos livres em escolhas e desempenhos de nossos pensamentos e atos – acostumamos toda uma sociedade a olhar para um mundo também divido em suas crises econômicas e culturais, o que nem de longe é um “privilégio” somente dessa geração, já que somos raízes e desfrutamos da colheita, não participamos da plantação. No máximo, somos seus cultivadores.

A conquista de poder decidir quem seriam em futuro próximo os nossos máximos representantes políticos foi um avanço social que de fato mudou as formas estruturais de como a política mundial se organizava. É fato, mas nunca foi o suficiente. Agora, o que precisamos conquistar é urgente e, sobretudo, foge de leis e decretos. É uma conquista humana. Precisamos de discernimento, hombridade, mais racionalidade e menos vulnerabilidade e, claro, de domínio sobre a nossa força social. Precisamos entender que nossa presença e participação sempre foi o ponto mais forte de qualquer decisão.

Contudo, ainda que entendamos tudo isso, é necessário empenho para que a prática seja um exercício diário, não um serviço. Se o esforço coletivo já foi capaz de causar discórdia e distanciamento, de tirar, anular e diminuir o poder de quem já os teve, por qual motivo esse mesmo esforço coletivo não seria capaz de ser mais justo com ele mesmo? Se precisamos de um propósito, olhemos para o nosso passado mais recente, vejamos no que transformamos nossa casa e no que fomos transformados.

O mais engraçado de tudo isso, que na verdade não tem mais graça alguma, é que viramos um ciclo vicioso e ocioso, onde já estamos programados para receber e desempenhar algumas cenas que já são velhas conhecidas. Usando um tom generalista, obviamente, é simples roteirizar esse filme, onde já dá para imaginar até qual será seu desfecho. Já esperamos as próximas batidas de panelas e os gritos de ordem – agora cibernéticas – por uma saída recuada de quem estar em posse desse arsenal, para que voltemos ao início de tudo e, em urnas melódicas, comecemos tudo de novo. Porque se um dia ensinaram o significado do termo “aprender com os erros”, os brasileiros passaram longe da aula. Será? Aguardaremos os próximos dias.

por Jotta Lopes – colunista do Papo Político

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.