Brasil, o país do faz de conta

Tempos vividos como o atual momento não precisam de muito para se tornarem caos e medo diante de todos. Seus próprios desdobramentos – sem fazer muito esforço – tomam conta de parte da história, reescrevendo vidas, adicionando perdas e modificando pensamentos. Assim, temos o pior dos cenários, onde quem pode fazer muito faz pouco, quem pode fazer pouco é impossibilitado de fazer qualquer coisa e, quem não pode fazer nada, bem… simplesmente não faz, apenas espera.

Contudo, esperar não seria uma aposta virtuosa para parte de uma nação que já espera algo acontecer há tempos. A cada nova crise que estarrece o país, uma peça importante do tabuleiro é derrubada. Já caíram a cultura, a economia, a ordem, assim como a política e a decência também. E quando nos damos conta, nesse jogo só sobraram nós, os peões, contra os reis e rainhas, donos de um poder absoluto e de um país de faz de conta. Faz de conta que não tem fome, faz de conta que não precisamos de segurança, faz de conta que temos saúde em abundância, faz de conta que assistência social é um lanche na hora do intervalo.

E como se não bastasse ter que lidar com esses fatores diretos, que indicam inclusive sobrevivência e necessidades básicas, ainda temos que dar conta de uma gama de fatores virais que faz subestimar nossa condição humana e respeito por cada problema enfrentado. O pessimismo, a ignorância, o egocentrismo e a falta de empatia se misturam como leite e café, como se essa fosse a normalidade desse povo. Afinal, o Brasil merece o Brasil?

E para que não digam que somos apenas apontadores críticos, mesmo sendo nós a razão de haver essa sociedade, nos apeguemos a um desses detalhes – o pessimismo – e respondamos a outra interrogação: como ser otimista com um país que enfrenta seus altos e mais graves problemas dando como solução para a população crises econômicas, desestrutura política, má administração de setores sociais e falta de organização de atitudes e responsabilidades? Como?

Mesmo que tenhamos a convicção que uma boa parte de nós pode não compreender ou não querer entender o que significa essa resposabilidade que tem uma representatividade, o momento não é esse. Mais do que nunca, é necessário enaltecer a força com que essa nação ainda se mantém erguida, mesmo vendo os seus pés afundarem em tanta falta de respeito e consideração pela história que foi criada em volta de toda a sua existência.

por Jotta Lopes – colunista do Papo Político

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