O jogo dos setes erros

Para um país acostumado a ter em volta de si o calor dos mais distintos curiosos e admiradores, encantados por sua terra e a multiplicidade cultural de seu povo, vê-lo estampar noticiários internacionais por suas escolhas nada assertivas e dificuldades de encaminhar suas lideranças ao social, chega a ser espantoso. Na verdade, o que hoje parece causar espanto jamais foi inesperado, apenas parecia não ser aceito como uma verdade para todos.

Se temos um problema em comum e todos correm em um mesmo sentido em busca de soluções e você é o único por optar ir em vias contrárias, o que acontece? Exatamente. Tudo isso que vemos hoje. Desordem e falta de respeito recíproco. Um país onde o governo não respeita a comunicação, sociedade que não respeita governo, comunicação que não respeita ela mesma. Um berço do “não faça o que eu digo, faça o que eu faço”.

Nessa verdadeira espécie de jogo dos sete erros, confrontado com cenários sociais indesejáveis e cada vez mais incontroláveis, o ciclo de transições segue seu pior cenário, transformando política em politicagem, verdade em conveniência, medo em oportunidade, necessidade em assistencialismo, responsabilidade em poder, caos em visibilidade e vidas em escudos. A vulnerabilidadede de nossas identidades sucumbe ao medo, deixando rastros dolorosos e dúvidas sobre o próprio chão que pisamos. O resultado é uma nação perdida em seus próprios apontamentos, desconfiada e repleta de rancor.

Aliás, a cada novo acontecimento é evidenciado o posicionamento humano que se tem adquirido até aqui: ou você acerta ou você carrega o erro de muitos. Utopia? Bem, queríamos que sim. Mas, no entanto, qualquer “acerto” até aqui não passa de uma consciência limpa, afinal, o enfrentamento não parece mudar nunca, vivemos o que é destinado a todos e, se boa parte erra, no fim das contas erramos juntos, somos penalizados juntos, enfrentamos as dores juntos.

Seria possível encontrar uma saída mesmo em meio a todos esses momentos de crise? Que linha seguiremos para sobressair de todo esse caos? E nossa identidade? É essa a nossa nova versão? Fica cada vez mais difícil procurar respostas quando a vontade é se esconder da vergonha que estamos virando. Esperemos que a superação não dependa tanto de nenhuma ordem política direta, pois chegamos até aqui alinhados, instigados por ela mesma a não acreditar mais.

por Jotta Lopes – colunista do Papo Político

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