Alcateia de “loucos”

Algo já está mais do que claro por essas terras. Sabem o nome deste país, residem nele, no entanto, nem de longe parecem conhecer – ou se importar – o tamanho de sua história, suas lutas, as dores e conquistas detalhadas no suor de seu povo. Como se não bastasse tamanha ignorância, a falta de senso de experiência e liderança padecem sob uma concha de retalhos sem fim. Desordem, censura, negações e obstruções, todas costuradas umas as outras, formando uma bela manta egocêntrica.

Um entendimento sobre o surgimento de todas essas novas ideias, fases e cenários parece custar a ser visto com um fator completo e concreto. O bombardeamento diário de episódios negativos – a maior parte se revela assim – não nos deixam acostumar com suas tramas, personagens, climas. Enquanto a “ordem e o progresso” não vestem os reais motivos com a responsabilidade esperada, seguimos colocando os nossos próprios motivos. Descrença, desconfiança, falta de identificação […]

“O pico será em abril”. Lá se foi abril, se foi maio e junho já começa a se estreitar em velhas perspectivas. Na verdade, com ou sem participação de episódios tão caóticos como os vividos atualmente, a sensação é que sempre estivemos imersos a uma estima e espera pelo fim de acontecimentos ruins, reafirmado em levantamentos de casos e perdas. Sendo assim, para não contrariar o fluxo natural, o “pico da fome”, o “pico da negligência e negação étnica”, o “pico dos abusos de poder, humano e natural”, quando serão?

Quando se esparava um ciclo guiado pelo ritmo da experiência e assegurado pela liderança dos mais virtuosos, fortalecidos por vivências de tempos difíceis em outrora, somos abastecidos por disparidade, despropósito e discrepância. Todos sinônimos de um absurdo que se tornou esse sensação de (des)pertencimento, um marco negativo para um povo acostumado ao acolhimento, entendimento e potencialização de sua diversidade.

Sem esforço nítido algum para que haja uma diminuição nesse desconforto coletivo, aparentemente a preocupação permanece centrada no enraizamento de participações que beneficiam, como sempre, uma minoria. Aos demais, pilares de sustentação desses ditos cujos, as marcas seguem silenciadas pela obrigação de necessidades banais, enquanto esperam por dias melhores, dia após dia.

por Jotta Lopes – colunista do Papo Político

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Papo Político.

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