Bolsonaro participa nesta quinta-feira de cúpula do Mercosul; reunião será por vídeo pela primeira vez

O presidente Jair Bolsonaro participa nesta quinta-feira (2) da 56ª reunião de cúpula de chefes de Estado do Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Em razão da pandemia do novo coronavírus, o encontro dos líderes do bloco será realizado por videoconferência, a primeira vez na história, segundo o Ministério das Relações Exteriores.

O Paraguai exerce a presidência do Mercosul atualmente. Nesta quinta, o presidente Mario Abdo Benítez passará o comando rotativo do bloco para o presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou.

A reunião de cúpula está marcada para as 10h (horário de Brasília). O último encontro foi em março, quando os presidentes discutiram, também por videoconferência, medidas para enfrentar a pandemia. A reunião, no entanto, não era o encontro de cúpula, como o desta quinta-feira.

No mês seguinte, o bloco aprovou o investimento de US$ 16 milhões em um projeto conjunto para financiar ações de combate à Covid-19, como a compra de equipamentos e o reforço na capacidade de testes dos países.

Em entrevista à imprensa antes da cúpula, o chanceler paraguaio Antonio Rivas Palacio afirmou que a “melhor resposta” para conter o avanço da pandemia é ampliar a integração entre os países e adotar medidas coordenadas.

Rivas Palacios destacou que, por causa do coronavírus, as atividades do bloco foram adaptadas e as reuniões presenciais foram substituídas por videoconferências – cerca de 150 reuniões à distância em diferentes níveis, de encontros técnicos a reunião de órgãos com poder de decisão.

Estratégias
O encontro virtual dos líderes do Mercosul ocorre em um momento no qual os países lidam com as consequências das estratégias adotadas para conter a contaminação pela Covid-19 e enfrentam a crise econômica provocada pela pandemia.

Com 1,4 milhão de infectados e mais de 60 mil mortes, o Brasil é o segundo país em casos e óbitos por Covid-19 no mundo, atrás somente dos Estados Unidos.

Já os vizinhos do Mercosul têm números menores, segundo a universidade norte-americana Johns Hopkins, que monitora a pandemia no mundo.

Argentina: 64,5 mil casos e 1,3 mil mortes;

Uruguai: 936 casos e 27 mortes;

Paraguai: 2,2 mil casos e 17 mortes.

A pandemia no Brasil é marcada por atritos entre o presidente Jair Bolsonaro e governadores. O presidente é crítico das medidas de isolamento social e já tratou a doença como uma “gripezinha”.

A Argentina adota isolamento rígido e vê piorar os índices de sua economia, já combalida. O Paraguai adotou quarentena rígida, enquanto o Uruguai apostou no incentivo ao distanciamento social, mas sem medidas rigorosas de isolamento.

Acordo com a União Europeia

Fundado em 1991, o Mercosul incorporou a Venezuela em 2012, contudo, o país governado por Nicolás Maduro está suspenso por descumprir obrigações da adesão e por “ruptura da ordem democrática”.

O Itamaraty informou que em 2019 o Brasil exportou cerca de US$ 15 bilhões para os demais países do bloco e importou US$ 13 bilhões – superávit de US$ 2 bilhões.

Segundo a pasta, a cúpula desta quinta dá a “oportunidade para examinar a situação e as perspectivas do processo de integração regional, além das atividades de relacionamento externo do bloco”.

O governo brasileiro defende o acerto de acordos comerciais com outros blocos e países. Um dos temas prioritários é o acordo de livre comércio com a União Europeia, anunciado em 2019, mas que ainda não entrou em vigor. Vale o mesmo para o acordo com a Associação Europeia de Livre Comércio EFTA), que reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Segundo o governo paraguaio, nos últimos meses ocorreram “avanços importantes” na revisão dos acordos e nos ajustes de detalhes técnicos. No caso da União Europeia, no entanto, há resistências.

No mês passado, cinco organizações ambientais e de direitos humanos apresentaram pedido à Defensora Pública Europeia a fim de interromper o processo de ratificação do acordo.

Três parlamentos na Europa (Áustria, Holanda e o da região da Valônia, na Bélgica) anunciaram que não aprovarão o acordo com o Mercosul.

por Guilherme Mazui e Pedro Henrique Gomes/G1

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