Damares Alves quer proibir ‘Lindinhas’, filme da Netflix acusado de sexualizar crianças

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, afirmou em rede social nesta segunda-feira (14) que está estudando medidas contra o filme “Lindinhas” (“Cuties”, em inglês), produção francesa da Netflix acusada de sexualizar crianças.

“Não vamos ficar de braços cruzados. Deixa comigo”, respondeu a ministra, a um seguidor no Twitter.

A ministra também compartilhou uma notícia que ela já acionou os assessores jurídicos do governo para impedir a exibição da obra na Netflix Brasil.

Nos comentários, outros usuários da rede social pediram que Damares falasse também sobre as piadas que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez durante a live de quinta-feira (10) ao lado de uma youtuber de 10 anos de idade. A ministra não se pronunciou sobre o tema. Em vídeo promocional, a diretora Maïmouna Doucouré explica que o filme é justamente uma crítica à sexualização de crianças em nome de uma suposta liberdade sexual:

“Eu conversei com centenas de pré-adolescentes para entender como elas se relacionavam com sua feminilidade hoje em dia. Essas garotas veem que, quanto mais a mulher é sexualizada nas redes sociais, mais bem-sucedida ela é. E sim, isso é perigoso.”

À revista Variety, um porta-voz da Netflix disse o mesmo:

“‘Cuties’ é uma crítica social à sexualização de crianças. É um filme premiado, com uma história poderosa sobre a pressão que jovens meninas sofrem das redes sociais e da sociedade em geral enquanto crescem — e encorajamos qualquer pessoa que se importa com este tema fundamental a assistir ao filme.”

Crítica Especializada

A crítica especializada vem destacando qualidades em “Cuties”, que saiu premiado do Festival de Sundance, em fevereiro, e foi exibido em Berlim. A diretora do filme, Maïmouna Doucouré, defende o caráter crítico e questionador da obra, em um conteúdo extra de seis minutos que acompanha “Cuties” na Netflix.

“Amy acredita que pode encontrar sua liberdade por meio desse grupo de dançarinas e através de sua hiperssexualização. Mas isso é realmente a verdadeira liberdade? Especialmente quando você é criança? Claro que não”, analisa a cineasta.

A ministra dos Direitos Humanos, no entanto, entende que a produção é um prato cheio para abusadores de crianças, que agora têm acesso a conteúdo impróprio com menores de idade, legalizado e livremente exibido. Ela afirmou no Twitter nesta segunda que está tomando providências contra o filme.

O movimento no Brasil é semelhante ao que ocorre nos Estados Unidos. Na semana passada, senadores do Partido Republicano acionaram o Departamento de Justiça contra o filme. Integrantes do partido também lançaram uma petição online contra a produção, que já conta com mais de 330 mil assinaturas.

Público

Toda as polêmicas em torno do filme vêm afetando seu desempenho em sites de análise que contam com a participação dos espectadores.

No IMDB, por exemplo, “Cuties” já recebeu mais de 5,6 mil avaliações de internautas, numa escala de nota 0 a 10. Mais de 88% das pessoas atribuíram nota 1 ao filme, enquanto apenas 3% deram nota 10. Por lá, o longa tem média de 1,6.

No Rotten Tomatoes a situação não é muito diferente. “Cuties” tem, por enquanto, apenas 3% de resenhas positivas enviadas pelo público. No entanto, quando se joga o foco sobre a visão dos críticos, a coisa muda de figura: 88% de análises positivas.

“Merece muito ser visto. É uma obra delicada que encontra um ponto de equilíbrio cuidadoso ao retratar seu mundo”, elogia Bilge Ebiri, crítico da “New York Magazine” e do site “Vulture”.

David Fear, da “Rolling Stone”, elogia o filme e atenta para a inusitada controvérsia gerada em seu entorno: “De repente, um longa sensível sobre amadurecimento se tornou alvo de uma guerra cultural”.

No entanto, há críticas positivas a “Cuties” que não isentam a Netflix de sua culpa pela gênese das turbulências sobre seu lançamento.

A jornalista Clémence Michallon, do “Indepedent”, lamenta que o incidente com o cartaz tenha despertado muito barulho sobre o longa. E exalta o fato de que a produção premiada conta a história de uma menina negra e é dirigida por uma mulher negra, feitos que “contrariam as estatísticas”.

“Cuties é um filme sobre meninas e a cultura que as sexualiza. Não é, fundamentalmente, um filme a favor da hiperssexualização. Só porque uma obra de arte retrata algo não significa que esteja defendendo isso. Se fosse esse o caso, nenhum thriller jamais seria escrito – nenhuma cena de estupro, nem mesmo de roubo, seria retratada na tela”, pondera Michallon.

por Redação ClickPB com O Globo

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