Mundo ganha mais uma arma contra a Covid-19, vacina da Johnson & Johnson tem eficácia global de 66% com apenas 1 dose

A farmacêutica Johnson & Johnson anunciou nesta sexta-feira que sua vacina experimental contra a Covid-19, desenvolvida em parceria com sua subsidiária belga Janssen, tem eficácia global de 66%. O anúncio era longamente aguardado em função do imunizante depender de apenas uma dose, o que pode facilitar complexa logística de vacinação em um momento crítico da pandemia ao redor do planeta.

Além disso, o imunizante não depende de refrigeração em temperaturas muito baixas como a vacina da Pfizer, tornando a vacina um forte atrativo para países com deficiências de infraestrutura em transporte e armazenamento de fármacos.

A fórmula da J&J foi desenvolvida a partir de um adenovírus do tipo Ad26, um patógeno comum encontrado em humanos que causa resfriados, utilizado como vetor viral de proteínas do novo coronavírus para induzir uma resposta imunológica. A tecnologia também é usada por outras vacinas experimentais, como a da AstraZeneca/Universidade de Oxford — que utiliza adenovírus encontrado em chimpanzé — e a Sputnik V, da Rússia, que combina dois adenovírus de humanos. Apenas a vacina americana foi desenhada para ser aplicada com apenas uma dose.

Negociações no Brasil
A fórmula consta no Plano de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19 do governo federal, mas ainda não houve um acordo formalizado entre o Brasil e a J&J. A vacina foi testada no Brasil, após receber autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em agosto. Por esse motivo, ela se adequa às regras da reguladora brasileira e pode solicitar o uso emergencial da vacina no país.

Em novembro, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, se reuniu com representantes da empresa e de outras desenvolvedora de vacinas candidatas contra a Covid-19. De acordo com o plano de operacionalização, apresentado em dezembro, há previsão de aquisição de 38 milhões de doses do imunizante, das quais 3 milhões estariam disponíveis no segundo trimestre deste ano, 8 milhões no terceiro trimestre e 27 milhões no quarto.

A epidemiologista Carla Domingues, que esteve à frente do Programa Nacional de Imunizações (PNI) por oito anos (2011-2019) afirma que o Brasil precisa garantir logo um acordo com a farmacêutica, para não “ficar de novo na fila”.

— O Brasil não tem compromisso de compra, não adianta dizer no plano que tem interesse e não formalizar nenhum contrato. Esse é o momento de correr atrás disso, já estamos atrasados. Essa vacina tem a vantagem de ter sido estudada no Brasil, então a Anvisa liberaria rapidamente seu uso emergencial. Mas possivelmente a Jonhson & Jonhson só vai ter interesse em entrar com o pedido se tiver uma formalização de compra, porque é um processo complexo. Pelo menos nesse primeiro momento, ela deve dar prioridade para países em que já tenha algo formalizado — explica Domingues.

por O Globo com agências internacionais

foto: MARK RALSTON / AFP

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.