Ministério da Saúde passa a exigir CPF e número de cartão do SUS de pessoas com Covid-19, e faz números de mortes pelo vírus despencar em São Paulo

O governo de São Paulo afirmou, nesta quarta-feira (24), que uma mudança de critérios no sistema do Ministério da Saúde que contabiliza o número de mortes por Covid-19 “derrubou” os registros de óbitos em São Paulo nas últimas 24 horas. Na terça-feira, o estado registrou um número recorde de 1.021 mortes. Já nesta quarta-feira, o número caiu para 281, o que mostra subnotificação, segundo o governo paulista. O governo do Mato Grosso do Sul também creditou à mudança nos critérios pedidos pelo ministério a queda no número de mortes no estado.

De acordo com o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, o site do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep Gripe), que atualiza informações da doença, passou a pedir mais dados das vítimas, como CPF, número do cartão SUS, nacionalidade e se tomou ou não vacina contra a Covid. Com isso, municípios não conseguiram reportar o dado corretamente nas últimas 24 horas.

— Se o município não foi corretamente informado, ele não conseguiu completar o fornecimento do campo. Isso tem um impacto. Ontem (terça-feira) fomos devastados com a informação de 1.021 mortos, e tínhamos como obrigação ter a informação de hoje. Só temos aportados 281 casos, que representam muito menos da verdade em relação ao número de óbitos — disse Gorinchteyn.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) requisitaram ao Ministério da Saúde a retirada temporária da obrigatoriedade do preenchimento dos campos novos. Segundo nota conjunta dos dois colegiados, o Ministério da Saúde se comprometeu a atender ao pedido ainda nesta quarta-feira.

O governador João Doria classificou a mudança nos critérios do ministério como “inadequada”. Nesta terça-feira, o Brasiil passou da marca de 3 mil mortos pela Covid:

— Fomos supreendidos com mudança repentina (do Ministério da Saúde), sem nenhuma informação prévia, feita ao sabor da conveniência, bastante inadequada.

Questionado se a alteração nos dados traria um impacto nas medidas de restrição adotadas por São Paulo, que hoje está na chamada fase emergencial (em vigor até 30 de março), Gorinchteyn ressaltou que outros dados são mais importantes do que o numero de óbitos, que pode não refletir o cenário do dia:

— Trabalhamos com o dado atualizado, que é o de internações. É ele que tem um peso muito maior de outras ações que eventualmente possam ser tomadas.

Nesta quarta-feira, São Paulo soma 29.792 pacientes hospitalizados por Covid-19, sendo 12.442 em UTIs e 17.350 em enfermarias.

A mudança nos critérios não alterou os dados apenas em São Paulo. Em Mato Grosso do Sul, o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, afirmou que foram confirmadas 20 novas mortes nas últimas 24 horas, número que não representa a “realidade”.

— Nós estamos tendo muito mais óbitos que esses anunciados hoje. Mas é porque o sistema, o Sivep, está com oscilação, dificultando a inserção de dados, e certamente amanhã teremos um número elástico de óbitos, já que a nossa média móvel ultrapassou 30 óbitos por dia. E a gente sabe que esse número de hoje está menor do que o que aconteceu nos últimos dias por essa oscilação do sistema do Ministério da Saúde — disse Resende.

O Ministério da Saúde foi questionado sobre a mudança dos critérios, mas ainda não respondeu.

por O Globo

foto: Reprodução

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