Paraibana que vive em Israel conta drama da guerra contra Hamas e mostra ‘domo de ferro’ interceptando foguetes nos céus

O último conflito entre o Estado de Israel e o grupo terrorista Hamas, iniciado em 10 de maio deste ano, foi um dos maiores já vivenciados por Kesia Hadassah Tavares, paraibana que mora desde o ano de 1998 em Israel. Em meio a inúmeros bombardeios contra o país judeu ao longo de 23 anos, “Nenhum foi tão ofensivo como esse”, na avaliação dela.

Pressão, tensão e ansiedade são as palavras que traduzem o maior conflito nos últimos anos na região, que deixou cerca de 244 mortos em dez dias, sendo 232 em Gaza e 12 em Israel. Nesta sexta-feira (21), um cessar-fogo “mútuo e simultâneo”, mediado pelo Egito, foi iniciado entre os dois lados. Não há certezas, porém, se haverá um caminho duradouro de paz.

Em entrevista ao Polêmica Paraíba, Kesia assegura que, apesar do conforto proporcionado pelo país Judeu, ela jamais se acostumou com o barulho das bombas, e os últimos ataques trouxeram medo.

“Nunca cessou o conflito, nunca acabou. O ano inteiro os militantes do sul lançam foguetes contra Israel, mas agora a escalada foi muito ofensiva mesmo, pois eles melhoraram os artefatos bélicos, então dessa vez foi bem mais ofensivo e preocupante”, contou.

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Conflito e apreensão

Guia de turismo e musicista, Kesia vive com a família em Ramat Hasharon, cidade que fica na região central de Israel, vizinha a Tel Aviv, um dos alvos do Hamas.

Para ela, tornou-se comum ouvir barulhos das sirenes, que indicam foguetes nos céus e a reação do ‘Domo de Ferro’, sistema de defesa antiaérea de Israel que intercepta e destrói no ar os foguetes oriundos de Gaza. Nessa semana, o medo tornou-se mais real, já que as explosões impactaram a estrutura do prédio onde mora Kesia.

“A gente colocou a câmera na janela e deu pra filmar quando a cúpula de ferro emitiu o míssil para destruir o foguete. Fora que, mesmo que a gente não veja, a gente escuta as explosões. E também têm os destroços que causam barulho imenso. Para você ter uma ideia, o exército veio visitar o meu prédio, pois uma das paredes de um apartamento rachou”, revelou.

O conflito interrompeu aulas, atingiu o turismo e o comércio locais. “Não são todas as pessoas que estão trabalhando. Há muitas lojas fechadas e a escolas não funcionam. É bem complicado”, disse.

A vida em Israel

Cristã evangélica e com descendência judaica, Kesia é paraibana de Campina Grande e decidiu morar em Israel em 1998 com o marido, a mãe e a irmã. Na ocasião, fez imigração para Israel, o chamado Aliah, um direito de judeus e seus descendentes. Para ela, foi a realização de um sonho. “Aliah significa subida, então foi literalmente uma subida para Israel”, traduziu.

Como guia, Kesia percorre outras partes do país e recentemente criou canais no Youtube no Instagram para mostrar lugares históricos e curiosidades da Terra Santa. Mesmo em meio ao temor, o desejo de continuar vivendo em Israel e o amor pela região não cessam.

“Ao contrário do que muitos dizem, não somos um país do apartheid, e muitos ficam surpresos quando veem árabes vivendo aqui. Não é um conflito contra pessoas, mas contra represálias de organizações terroristas”, lembrou.

Amor pelos árabes

Questionada sobre uma solução para os conflitos, a paraibana lembra que até mesmo os palestinos são vítimas das ações de grupos terroristas, como o Hamas. Nas palavras dela, nem mesmo a criação de um estado árabe seria a solução para o conflito.

“A questão mesmo é a existência do Estado de Israel, pois isso reúne outro problema, que é o radicalismo religioso, que tem gerado muito ódio e muito derramamento de sangue. Se eu tenho uma resposta? Nós não sabemos qual seria a solução para isso”, considerou.

por Polêmica Paraíba

foto: Reprodução

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