Olimpíada: Membro da equipe olímpica de Uganda chega a Tóquio com variante originária da Índia

Um membro da equipe olímpica de Uganda que testou positivo para a Covid-19 na chegada ao Japão carregava a variante originária da Índia do vírus, disse o ministro da Olimpíada de Tóquio na sexta-feira (25), aumentando a preocupação com os Jogos – daqui a menos de um mês –, que pode desencadear uma nova onda de infecções.

Um técnico da delegação da nação da África Oriental testou positivo após chegar ao Japão no último sábado (19), enquanto um segundo membro, um atleta, testou positivo na quarta-feira após chegar à cidade-sede da equipe, Izumisano, disseram autoridades anteriormente.

O ministro das Olimpíadas, Tamayo Marukawa, disse em entrevista coletiva que a pessoa que chegou no sábado tinha a variante originária da Índia altamente infecciosa e que uma análise também estava sendo conduzida no segundo caso confirmado, informou a rede pública de televisão japonesa NHK.

Marukawa disse que consultaria outros ministérios e estabeleceria contato com os que estão no território sobre quais medidas são necessárias, disse a NHK.

A forma de lidar com o caso gerou críticas de autoridades e especialistas locais e alimentou preocupações sobre o que está por vir. Embora um dos membros tenha testado positivo para o vírus no aeroporto, os demais viajaram para a cidade-sede em um ônibus, acompanhados por três autoridades municipais, disse um oficial do Izumisano. Essas pessoas só foram designadas “contatos próximos” dias depois.

O governador de Osaka, Hirofumi Yoshimura, disse aos repórteres que as delegações das Olimpíadas devem ser mantidas no aeroporto ou próximo a ele se um membro for positivo na chegada. A cidade de Izumisano fica na prefeitura de Osaka.

“Seria difícil aplicar isso ao público em geral, mas com grupos de atletas é claro” eles são contatos próximos, disse ele. “Acho que devemos aprender com este caso à medida que nos encaminhamos para os Jogos para valer.”

O caso “mostra claramente a falta de medidas básicas de mitigação de risco com base nas melhores evidências disponíveis”, disse Kenji Shibuya, ex-diretor do Instituto de Saúde da População do King’s College London.

O Japão não sofreu o surto explosivo do vírus visto em outros lugares, mas só recentemente emergiu de uma quarta onda de infecções.

Público ainda cético
Um declínio no ritmo de novos casos e uma aceleração na implementação da vacinação levaram as autoridades a amenizar o estado de emergência em Tóquio e em outras oito prefeituras no domingo.

Mas os especialistas estão preocupados com um novo aumento de casos em Tóquio, bem como com a disseminação de variantes mais transmissíveis. Tóquio registrou 570 novos casos de Covid-19 na quinta-feira, ante 452 no mesmo dia uma semana antes.

O governo e os organizadores do Japão prometeram tornar os Jogos, que começam em 23 de julho, “seguros e protegidos”. Mas muitos japoneses permanecem céticos quanto à possibilidade de realizar até mesmo Jogos em menor escala com segurança durante a pandemia.

Os organizadores excluíram os espectadores estrangeiros e limitaram o número de nacionais para o evento. Álcool, tapinhas de mão e falar alto serão proibidos nos estádios.

O ministro da Economia, Yasutoshi Nishimura, o encarregado do governo sobre a resposta à pandemia, disse que as autoridades precisavam manter a variante originária da Índia em mente, dada a experiência nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, onde se espalhou rapidamente. A variante, detectada pela primeira vez na Índia, foi responsável por 3% dos novos casos no Japão, disse ele.

“Considerando que a variante originária da Índia se espalhará…é importante continuar medidas fortes”, disse ele a repórteres.

Nishimura disse que medidas mais firmes serão tomadas se as infecções se espalharem até “certo grau” ou se os hospitais estiverem sobrecarregados, mas um novo estado de emergência não será imposto imediatamente.

Algumas áreas, incluindo Tóquio, permanecem sob restrições de “quase emergência”, incluindo limites à venda de bebidas alcoólicas em restaurantes. A proibição pode precisar ser reimposta, disse Nishimura.

por Daniel Leussink e Chang-Ran Kim/Reuters

foto: Reprodução

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