CPI ouve vendedor que denunciou suposta propina na compra de vacinas

A alteração do calendário da CPI foi tomada pelo presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), após Francisco Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos, conseguir um habeas corpus para ficar em silêncio durante o depoimento que daria à comissão nesta quinta – ainda não há nova data para a oitiva de Maximiano.

Segundo o jornal “Folha de S.Paulo”,

Dominguetti, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply, relatou um suposto pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina da AstraZeneca em troca de fechar contrato com o Ministério da Saúde.

Após a declaração de Dominguetti, o servidor da pasta que teria feito o pedido de propina, Roberto Ferreira Dias, foi exonerado do cargo de diretor de Logística do Ministério da Saúde. A pasta afirma que a demissão já estava prevista. O anúncio foi feito após a divulgação da reportagem.

Resumo da CPI da Pandemia:

Sessão é suspensa por 20 minutos

Por volta das 13h50, o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), suspendeu a oitiva com Dominguetti por 20 minutos.

Na volta, será a vez do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) questionar o depoente.

Questionado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI, se havia falado com mais alguém sobre o suposto pedido de propina que diz ter recebido de um ex-diretor do Ministério da Saúde, Luiz Paulo Dominguetti disse que repassou a informação e o pedido de ajuda para um coronel da Polícia Militar de Minas Gerais – Dominguetti é cabo e está na ativa da PM no mesmo estado.

“Quando nós começamos a ter problemas no ministério no sentido do pedido de propina pedi ajuda a um coronel da PM-MG pra que ele intervisse, para que a informação chegasse de que as vacinas estavam a disposição – foi ao coronel Romoaldo”, disse ele.

Na versão de Dominguetti, o coronel disse que informaria a um assessor do deputado federal Junior Amaral (PSL-MG), mas que ele não sabe, de fato, se isso foi feito.

“Era surreal o que estava acontecendo. Eu pedi ajuda. Pedi alguém que tivesse acesso a quem tinha poder de decisão para informar que tínhamos a vacina, podíamos ter comprado”, declarou Dominguetti.

“Se o dono da Davati conseguir comprovar à essa CPI que ele dispunha de vacinas, que ele tinha condições de colocar as vacinas no país e que um homem, dentro do Ministério, tinha o poder de decisão de comprar ou não comprar – e não comprou, eu sei o motivo, posso não fazer os senhores acreditarem, mas eu sei o motivo.”

Depois de uma longa discussão entre os senadores motivada pela exibição do áudio envolvendo o deputado Luis Miranda, senadores opositores ao governo pediram a apreensão do telefone de Luiz Paulo Dominguetti para o aparelho ser periciado.

O primeiro a fazer a proposta foi o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Ele foi seguido, depois, pelo vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

A proposta de Renan e Randolfe foi contestata por senadores governistas, como Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ).

“Só para entender: ele tenta colaborar com a CPI e está sendo penalizado por isso?”, disse Bolsonaro.

Randolfe, que ocupava naquele momento a presidência da CPI, disse que não havia penalização e que o aparelho seria retido apenas para perícia.

“Como eu já disse a vossas excelências, meus dados telefônicos e e-mails estão à disposição da CPI, independente de qualquer apreensão ou não. Eu franqueio qualquer dado, conversa às vossas excelências”, disse Dominguetti.

“Eu só expus esse áudio porque não poderia faltar com a verdade quando me foi perguntado por em senador se sabia de algum parlamentar tinha feito alguma negociação.”

Dominguetti afirmou que o deputado federal Luis Miranda tentou negociar vacinas com a Davati Medical Supply. Ele encaminhou à CPI um áudio atribuído a Luis Miranda, que será periciado pela Polícia Legislativa do Senado.

Segundo Dominguetti, o deputado procurou o CEO da Davati no Brasil, Cristiano Alberto Carvalho.

“Ele [Luis Miranda] não me procurou. O Cristiano me relatou que às vezes tinham parlamentares e ele disse que Luis Miranda foi insistente nesse sentido. Tenho o áudio dele falando disso inclusive.”

Dominguetti diz que Luis Miranda se refere ao irmão, que é servidor da pasta, no áudio exibido. Alguns senadores, no entanto, acham que ele apenas utilizou uma gíria.

Após a exibição do áudio, o vendedor diz que quem pode dizer exatamente do que se tratavam as negociações é o CEO Cristiano Alberto Carvalho.

“Pelo print que veio logo acima [na conversa com Cristiano] se sugestionava o assunto vacina, porém o modus operandi que se sugestiona no áudio ninguém faz prova de vida de vacina, mas como veio sugestionado acima o print e o logo abaixo o áudio, eu não sei ao certo qual é a tratativa comercial que estava sendo feita ali”, disse o depoente.

Segundo Dominguetti, foi Cristiano Carvalho quem lhe encaminhou o áudio de Miranda após o depoimento do parlamentar.

O depoente afirma ainda que não revelou o áudio ao jornal “Folha de S. Paulo” porque não poderia “fazer juízo de valores sobre detalhes do áudio, sobre o momento que foi feito, qual era o assunto”. “O que sei é que recebi do Cristiano e ele pode falar melhor isso”, disse.

Dominguetti afirmou que três servidores do Ministério da Saúde tiveram acesso à proposta de vacinas da Davati Medical Supply.

São eles: Roberto Dias, servidor exonerado da pasta, o diretor de Imunização, Lauricio Monteiro Cruz, e Elcio Franco, ex-secretário do Ministério da Saúde. As tratativas, no entanto, não avançaram após o pedido de propina de Dias, diz Dominguetti. Elcio Franco, segundo depoente, não tinha conhecimento do pedido.

“Com Roberto Dias, o caráter solicitado não ia avançar. Elcio Franco não tinha conhecimento da proposta do Roberto Dias. Ele estranhou”. Ao não aceitar a negociação das vacinas com o pedido de propina de Dias no restaurante, Dominguetti diz ter voltado ao hotel em que estava hospedado em Brasília.

Segundo Dominguetti, o CEO da Davati no Brasil, Cristiano Alberto Carvalho, teve conhecimento do pedido de Dias. Ele afirmou não conhecer o deputado e líder do governo Ricardo Barros (PP-PR) – o nome de Barros aparece em outra denúncia de irregularidade na compra da vacina Covaxin, feita pelos irmãos Miranda.

Ainda respondendo ao relator Renan Calheiros, o vendedor confirmou sua versão dada ao jornal Folha de S. Paulo sobre o pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina. Segundo ele, essa tratativa aconteceu no restaurante Vasto, em Brasília, no dia 25 de fevereiro.

“No momento havia o Coronel Blanco e mais um empresário que não me recordo o nome dele. Quando eu cheguei lá ele [Dias] já estava no restaurante. O Coronel Blanco nos apresentou, apresentou a proposta inicial ao senhor Roberto, me apesentou como parceiro da Davati”, disse.

“No início da tratativa o senhor Roberto demonstrou solicito para a aquisição de vacinas, tudo caminhando dentro da normalidade, dentro de um processo”, conta Domiguetti. Segundo o depoente, o pedido de propina aconteceu por meio de Roberto Dias.

“O pedido da majoração foi exclusivamente de Roberto Dias. Era de 1 dólar por dose. A primeira proposta era de 3,50. A Davati estava ofertando 400 milhões de doses.”

Dominguetti diz ter declinado das negociações ao ter conhecimento do pedido de propina. “Eu não tinha interesse de continuar as tratativas no formato em que estava se formando”, disse.

À CPI, Dominguetti diz que esteve em Brasília pela primeira vez com uma ONG, que se propunha a “ofertar vacinas por um valor humanitário”. “Me reuni com um diretor da Anvisa, que me direcionou para o Ministério para fazer tratativas sobre vacinas, e ele me encaminhou para uma agenda com Elcio Franco.”

Em sua segunda passagem pela capital federal, Dominguetti conheceu o coronel do exército, Marcelo Blanco, que não era servidor da pasta da Saúde, mas segundo ele, “tinha trânsito dentro do ministério”.

“Na segunda vez que estive em Brasilia foi me apresentado um coronel do exercito que já tinha trabalhado no Ministério da Saúde e tinha acesso ao ministério, e interesse na comercialização da vacina. É o Coronel Marcelo Blanco. A informação que eu tinha é que ele tinha sido funcionário no ministério mas tinha um transito dentro do ministério”, relatou.

Foi Blanco, segundo Dominguetti, que apresentou o vendedor ao servidor Roberto Dias, que teria pedido propina na compra de vacinas da AstraZeneca. Dias foi exonerado nesta quarta-feira (30).

O vendedor Luiz Paulo Dominguetti dispensou sua fala inicial de 15 minutos durante a sessão desta quinta-feira (1º). Com isso, a CPI partiu para os questionamento do relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Ao ser perguntado sobre sua posição na empresa Davati Medical Supply, Dominguetti afirmou que mantinha “um acordo verbal” com o CEO da Davati no Brasil, Cristiano Alberto Carvalho.

“Havia um acordo inicial verbal com o CEO da Davati no Brasil, o Cristiano. Eu tinha o conhecimento dele para representar a Davati. Foi ele quem solicitou a minha inclusão na proposta do Ministério”, disse. Segundo Dominguetti, a natureza de sua relação com a empresa é de “intermediação de negócios e parceiros comerciais”

O vendedor ainda alega que esteve três no Ministério da Saúde para ofertar vacinas contra a Covid-19. “Ele [Cristiano] autorizou que eu representasse a Davati aqui em Brasília. Estive com Élcio Franco, Roberto Dias e outro funcionário. Estive três veszes no Ministério da Saúde ofertando vacina”.

por Bia Gurgel, Murillo Ferrari e Rafaela Lara/CNN

foto: Reprodução

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