Ordem de prisão contra depoente agita sessão da CPI da Covid

A sessão, ontem, da CPI da Covid no Senado Federal tornou-se agitada após o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, Omar Aziz (PSD-AM), determinar à Polícia Legislativa a prisão do ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias, que prestava depoimento perante os senadores e foi acusado de mentir. Dias foi o primeiro depoente a ser detido pela Comissão que apura irregularidades do poder público no enfrentamento à pandemia de coronavírus no país. Cerca de cinco horas depois de receber a ordem de prisão, porém, ele foi liberado na noite de ontem, deixando o local acompanhado de sua advogada, Maria Jamile José. Dias vai responder por perjúrio em liberdade.

Omar Aziz já havia feito várias ameaças a convocados anteriores sobre a possibilidade de prisão ou outras sanções devido a omissões, mentiras e desinformações nos depoimentos prestados aos parlamentares. “Chame a polícia do Senado. O senhor está detido pela presidência do Senado, pela presidência da CPI”, reagiu o senador amazonense ontem. Mais cedo, Aziz havia dito:

“Estou tentando ajudá-lo, estou sendo sincero com você. Agora, chegar aqui e dizer que saiu do Ministério da Saúde não sabe por quê; que lhe tiraram poderes no seu departamento não sabe por quê; demitiram duas pessoas que trabalhavam diretamente com o senhor, o senhor não sabe por quê (…) Nós queremos só a verdade”.

A decisão gerou bate-boca e nem todos os senadores, inclusive da oposição, concordaram com a prisão de Dias determinada por Aziz. Para eles, Dias é uma espécie de “peixe pequeno” no suposto esquema de corrupção na pasta da Saúde. A advogada de Dias protestou contra a prisão, disse que o ato era uma ilegalidade e buscou argumentar que ele estava colaborando com a CPI desde de manhã. Parlamentares governistas criticaram abertamente a decisão do presidente da CPI, Omar Aziz, de mandar prender o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, entendendo que houve abuso de autoridade por parte de Aziz, que agiu como um “inquisidor geral”, oficial responsável por julgar e punir pessoas acusadas de agir de forma contrária às normas de conduta da Igreja Católica.

– Não existe fato concreto para deter o ex-diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias. O presidente da CPI agiu como um inquisidor geral, mandando o réu para a fogueira. Não se pode prejulgar ninguém. Esta é a Casa dos opostos. Temos que ouvir a todos com respeito- escreveu o senador Luís Carlos Heinze, do PP-RS em uma rede social. Após mandar prender o ex-diretor, Omar Aziz foi enfático:

“Não aceito que a CPI vire chacota”. Já o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), lamentou que o depoimento de Dias tenha ocasionado a prisão, mas falou que o diálogo não era mais possível. “Nós tentamos construir uma saída, uma mediação. Nos reunimos com a advogada dele para que ela convencesse o cliente a trazer mais dados porque eram gritantes as contradições no depoimento, mas não conseguimos essa negociação. O fim da CPI é buscar a verdade, não prender ninguém”, disse Randolfe.

Além disso, o vice-presidente da comissão afirmou que há um problema no ministério liderado pelo cardiologista paraibano Marcelo Queiroga.

“Há uma disputa de poder, uma disputa de esquemas de corrupção no âmbito do Ministério da Saúde”, completou.

por Os Guedes

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