Ricardo Coutinho ganhará fôlego no PT, mas será capaz de atrair Vené para sua órbita política?

Existe um jargão precioso na política brasileira que é: “Jabuti não sobe em árvore”. E tal fato quer dizer, de forma certeira, que répteis providos de carapaça, exclusivamente terrestres, não são capazes de escalar alturas consideráveis. Talvez possam transpor uma pedra pequena no meio do caminho, e olhe lá.

Mas existe a possibilidade de tal animal sair do chão para o cume, em termos de topografia. Ela reside na improvável chance de uma enchente repentina. O subir das águas pode colocar o bicho no topo das árvores. Contudo, há a brecha para um possível afogamento no percurso. Há, ainda, a benevolência dos humanos. Em situações críticas, proteger tal espécie, pondo-a, por exemplo, em um galho forte de aroeira mansa é outra perspectiva. Acredita-se, no folclore, que o jabuti possa até decolar, embora seja raro.

E nesse mundo cercado de mitos, especulações, verdades e mentiras, quando João Grilo e Chicó se misturam, vejo o ex-governador Ricardo Coutinho ingressando nas hostes do PT paraibano com ares de general e disposto a quebrar paradigmas, pondo o jabuti em condições de voar, mesmo sendo pesado e não tendo asas.

O jabuti de asas

Em um só solavanco, o Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) de João Pessoa tem novo comando e reforços de peso. Trata-se de Antônio Barbosa, que já anunciou a ida de três parlamentares estaduais para a sigla, sendo eles Jeová Campos e as deputadas Estela Bezerra e Cida Ramos, além da ex-prefeita de Conde, Márcia Lucena.

Todos eles ainda estão PSB, mas migrarão para a agremiação petista, no tempo que a justiça eleitoral permitir – aqui falo dos parlamentares. Agora vamos dar um pulo no pulo e observar as movimentações políticas implementadas por Coutinho.

Exímio condutor de projetos políticos e administrativos, busca Coutinho atrair o ex-prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) para sua órbita, talvez lançando o emedebista como pré-candidato ao governo do estado, o verde na vice-governadoria e o próprio ex-governador na disputa de uma vaga para o Senado.

A lógica de Ricardo Coutinho é quase perfeita, mas não pode ser concreta, de forma plena, por alguns óbices. Primeiro: o ex-governador, até que sejam esgotados todos os seus recursos jurídicos, continua inelegível, mesmo ele afirmando que não. Segundo: Veneziano expressou, por diversas vezes, certo gosto em apoiar Efraim Filho (DEM) na sua condução ao Senado.

Fatos, fotos e declarações subliminares deixam claro a preferência do emedebista em relação a Efraim, que está na base de sustentação do governador João Azevêdo (Cidadania), sendo o chefe do Executivo paraibano desafeto pessoal de Coutinho.

Vené e João

Aliado importante de Azevêdo, embora existam rumores de um cisma emedebista que colocaria em rota de colisão Vené com o governador, segue o senador fiel ao seu compromisso político.

Por último, Veneziano tem plena ciência da sua força. Tem mandato, é vice-presidente do Senado e ocupa a presidência do MDB na Paraíba, daí ter luz própria, não havendo a necessidade dos afagos – praticamente ignorados – de Ricardo Coutinho para com o seu nome.

Esse é o panorama atual, lembrando que na política jabuti sobe em árvore, daí ser possível Ricardo Coutinho conseguir seus objetivos.

por Eliabe Castor/PB Agora

foto: Reprodução

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