Efraim fecha o ano consolidando apoios para a candidatura ao Senado

O deputado federal Efraim Filho, remanescente do DEM que se fundiu ao PSL para virar União Brasil, “o maior partido do país”, fecha o ano de 2021 com a cotação em alta para disputar o Senado nas eleições do próximo ano. Ele foi o primeiro político a se lançar como pré-candidato à única vaga que estará em jogo e, apesar das críticas por suposta precipitação, fez-se obstinado no projeto, consolidou apoios importantes em outros partidos e larga com cacife para uma disputa que se afigura imprevisível. Foi secundado na aspiração pelo também deputado federal Aguinaldo Ribeiro, do Progressistas, cujo estilo envolve articulações de bastidores. Da parte de Efraim, pode-se dizer que está cacifado e que é referência indiscutível nas rodas políticas do Estado.

A manifestação de apoio à sua pretensão por parte do senador Veneziano Vital do Rêgo, presidente do diretório regional do MDB, sem dúvida encorajou fortemente os passos de Efraim, que, na sequência, contou com declarações de voto de deputados federais e estaduais e coleciona adesões de uma expressiva base municipalista, constituída por prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. Faltou, na sua jornada, um sinal enfático de simpatia por parte do governador João Azevêdo (Cidadania), em cuja base o parlamentar está situado. O chefe do Executivo evitou acirrar disputas dentro do seu próprio grupo e contornou exigências de compromisso com a alegação de que a prioridade é a pauta administrativa, deixando propriamente para 2022 a agenda das discussões políticas-eleitorais. Essa postura de Azevêdo, longe de desestimular Efraim, levou-o a acelerar movimentos de estratégia para plantar o que espera colher dentro de menos de um ano, quando vão se ferir as eleições para renovação do Senado.

Aliados e interlocutores do deputado federal por Santa Luzia ressaltam que o importante é que sua pré-candidatura ao Senado está posta – e, a esta altura, de forma irreversível, já que transcendeu etapas decisivas do chamado estágio probatório em disputas dessa natureza. Pessoalmente, o pré-candidato dispõe-se a participar do jogo informal de comparações de perfis com outros eventuais postulantes, garantindo-se quanto a quesitos como lealdade, articulação política, base de apoios e preparo para os debates e desafios envolvendo a parada senatorial. No reverso da medalha, o deputado-candidato também está decidido a entrar como postulante em faixa própria, sem estar vinculado a grandes esquemas de poder. Até lá, não vacila na retaguarda e nem se desapega da agenda de compromissos e do contato constante com apoiadores. Ao mesmo tempo, participa de reuniões para fixação de acordos e partilha de votos da sua quota como deputado federal entre postulantes a essa vaga que estejam interessados em fortalecer o seu projeto como senador.

É possível que a grande motivação do deputado federal Efraim Filho em concorrer ao Senado seja a inspiração que lhe traz seu pai, Efraim Morais, que em 2002 lançou-se ao Senado como “azarão” e bateu nas urnas um líder político de prestígio como o ex-governador Wilson Braga, que empreendia mais uma tentativa de chegar àquela Casa do Congresso sem, no entanto, lograr êxito. A diferença entre Wilson e Efraim naquele páreo foi apertada, mas o suficiente para consagrar o filho de Inácio Bento como novo ator no cenário político paraibano, em posição de destaque. No Senado, Morais projetou-se na primeira-secretaria e na liderança de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, a dos Bingos, que tirou o sono do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e dos petistas. Por um acidente de percurso, Morais não conseguiu renovar o mandato senatorial, estando, hoje, à frente de uma secretaria no governo João Azevêdo e no comando do partido que passa a denominar-se União Brasil.

Mas Efraim Filho abraçou a perspectiva da candidatura ao Senado, igualmente, após avaliar a ocorrência de espaços na conjuntura política-partidária local, em meio a desfalques como a derrota do senador Cássio Cunha Lima (PSDB) à reeleição em 2018 e a morte do senador José Maranhão (MDB), detentor da vaga que estará em disputa no próximo ano e que passou a ser ocupada pela suplente Nilda Gondim depois que a Covid levou o ex-governador e benfeitor da Paraíba. A adesão do MDB, partido de Maranhão e de Veneziano, foi fundamental, uma espécie de “gatilho” para detonar a pré-candidatura de Efraim em caráter firme e seguro. O partido tinha a opção de lançar, novamente, o ex-governador Roberto Paulino para representar o trabalho de Maranhão no Senado, mas Veneziano, tão logo ascendeu ao seu comando, decretou o apoio ao parlamentar do Vale do Sabugy, com isto desencadeando outras manifestações que pipocaram em diferentes legendas do espectro político local.

Especula-se que na oposição, mais precisamente nos quadros do PT, o ex-governador Ricardo Coutinho possa vir a entrar no páreo pelo Senado. Ele mesmo já manifestou tal propósito, pretextando necessidade de reforçar um projeto mais amplo, o que objetiva reconduzir de volta ao Palácio do Planalto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas o aceno de candidatura por Ricardo não intimidou o jovem deputado Efraim Filho, até porque o ex-governador e ex-socialista está atolado em denúncias de envolvimento na Operação Calvário, versando sobre desvio de recursos da Saúde e Educação, alternando sua presença com relativa assiduidade na mídia e nos anais da Justiça. Não se descarta a hipótese de outras candidaturas competitivas ao Senado na Paraíba em 2022, e Efraim revela-se atento a tais sinais ou movimentos. Não vai recuar, contudo, e este ponto pode garantir-lhe a manutenção de fidelidade dos que já se comprometeram com a sua pré-candidatura. Vigor e disposição não faltam ao deputado do Sabugy.

por Nonato Guedes/Osguedes

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